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Inovar na educação: você está preparado?

Quando digo que inovar na educação é urgente, a primeira pergunta que me fazem é: por quê?

A resposta é simples: porque o mundo mudou. Mudou a forma como nos relacionamos, nos locomovemos, pedimos comida, nos comunicamos, nos hospedamos. Saímos do analógico para o digital e estamos vivendo a quarta revolução industrial.



Modelos de negócios tradicionais estão se tornando obsoletos. A maior varejista do mundo não tem uma loja sequer. Veículos autônomos irão reduzir a 1/10 os custos dos seguros de carros. O aconselhamento jurídico virá de um robô com inteligência artificial. E tudo isto já existe, ou existirá em uma década.


Por que então a educação não pode mudar?


E para esta pergunta, muitas vezes recebo a resposta: minha instituição é tradicional no mercado, sempre ensinou desta forma. Então que dizer que ela continua a formar profissionais, para empregos de 20, 30 anos atrás?


É importante termos em mente que funções estão sendo extintas e criadas todos os dias, em uma velocidade muito grande. Se a educação não acompanhar estas mudanças, não preparará seus estudantes para o mundo do trabalho moderno.


A verdade é que hoje precisamos preparar os alunos para funções que ainda não existem, para usar tecnologias que ainda serão inventadas e para solucionar problemas futuros. Temos que prepará-los para o mundo bimodal: a inovação e tradição convivem em equilíbrio.


Depois de explicar tudo isto, ouço muito também: então é fácil. Basta adquirir para a minha instituição computadores de ponta, softwares de ponta, colocar wiffi montar um espaço maker e uma sala de metodologias ativas?

Não!! Isto tudo pode fazer parte, mas as tecnologias são ferramentas que adiantam nada se o conceito da educação não mudar. Sem a mudança do conceito, estaremos apenas fazendo as mesmas coisas, de forma diferente!


Então, como fazer esta mudança, esta inovação? Para começar, precisamos inserir o termo VUCA na educação. Este termo não é novo, na verdade surgiu no exército americano nos anos 90, mas descreve perfeitamente o momento que vivemos. O termo significa: V – volatilidade (volatility), U – incerteza (uncertainty), C – complexibilidade (complexity) e A – ambiguidade (ambiguity). O que este termo diz é que o mundo muda em uma velocidade enorme e sem destino certo.


Incorporada esta ideia, é necessário trabalhar as competências que o aluno terá que desenvolver para atuar neste mundo em constante mudança. Trabalhar as soft skills. E aí, podemos separar as competências em quatro grandes dimensões: conhecimento, habilidades, caráter e meta-aprendizado. Vou falar rapidamente destas competências, já que aprofundar neste assunto dariam vários outros artigos.


Conhecimento é aquilo que compreendemos. O conhecimento técnico, a hard skill, obviamente deve continuar a ser repassado ao aluno. O entra de novo aqui são outros tipos de conhecimentos que serão agregados ao que já é ensinado. É necessário que haja uma alfabetização global, que o conteúdo ensinado seja mostrado de perspectivas de diferentes culturas. Deve-se ensinar o letramento digital que é o avaliar e sintetizar de forma crítica as informações. Inserir o pensamento sistêmico, ou seja, analisar diferentes pontos de vista. Entender que erros fazem parte do aprendizado, isto é design thinking.


Habilidades é a capacidade de fazer algo. E aqui entram os famosos 4Cs: criatividade, pensamento crítico, comunicação e colaboração. Não há mais como formar um estudante sem desenvolver estas habilidades fundamentais.


O caráter é a aquisição e fortalecimento das virtudes e valores. Precisamos ensinar aos alunos o mindflness que é estar no momento presente, ou seja, trabalhar o desenvolvimento da atenção. Trabalhar a curiosidade, que está totalmente ligada à inovação. Trabalhar a resiliência, a ética e não menos importante, a liderança!


Por fim, em termos de competências, temos a meta-aprendizagem, que é o aprender a aprender. Aqui é desenvolvida a mentalidade de crescimento, o Growth mindset. Trabalhar a mentalidade do crescimento aumenta o desejo de aprender que, por consequência, aumenta, no estudante, a vontade de alcançar desafios, persistir mediante os desafios, aprender com as críticas.


Vimos, então, que o primeiro passo para a inovação na educação é definir quais competências devem ser trabalhadas. O segundo passo é a mudança na forma de ensinar e avaliar os alunos, pois, só assim, conseguiremos trabalhar estas novas competências.


Aí, então, entram as metodologias ativas, o Project Based Learning (PBL), por exemplo. O PBL, em português, Aprendizagem Baseada em Projetos, é uma técnica moderna, onde todas as competências citadas anteriormente podem ser trabalhadas. Esta técnica foca nas vivências práticas levando a uma maior participação dos alunos durante o processo de aprendizado. O professor passa a atuar como um orientador, intermediando e colaborando pontualmente com os alunos. O educador agora planeja uma ideia que irá gerar projetos mais colaborativos. Nesta metodologia pesquisa, criatividade, inovação e colaboração estarão sempre presentes. O aluno se torna o centro da aprendizagem e corresponsável pelo seu aprendizado. A forma de avaliação muda. O erro também é valorizado.


Perceba que esta nova técnica muda o paradigma da forma de ensinar e avaliar, o que leva a uma mudança salutar de currículo. Aqueles currículos engessados, cheio de pré-requisitos (no caso do ensino superior), não são pertinentes mais. Reavaliar o que ensinar e como ensinar é primordial.

A última parte da inovação na educação é a inserção das tecnologias. Não há por que as implantar sem antes mudarmos toda uma cultura educacional. E as tecnologias ofertadas hoje são inúmeras. Pode variar deste uso de softwares gratuitos a construção de Fab Labs ultra modernos. Para que a instituição escolha quais tecnologias usar, deve levar em conta quais objetivos quer atingir, qual nível de escolaridade atende, qual seu orçamento para isto entre outras análises.


A inovação na educação não se faz da noite para o dia. É necessário planejamento e engajamento de toda equipe da instituição. Mas, é preciso, que o primeiro passo seja dado rapidamente. Quem não inovar, ficará para trás e o mais rápido engolirá o mais lento. Chegou a hora de não mais pensarmos fora da caixa, mas sim, de construirmos novas caixas.



Juliana Barbosa

Gestão e consultoria educacional, palestrante educacional.

https://www.linkedin.com/in/juliana-guedes-arvelos-barbosa-8492b9146/






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