top of page

Um café com scrum para dois DIS, por favor!

Minha vida como designer instrucional tem sido preparar cursos e estudar. Trata-se de um movimento cíclico, que faz com que o moinho do interesse pela profissão não pare de girar. E nessa trajetória, tenho conhecido grandes parceiros de projetos que me incentivam a seguir caminhos que seriam improváveis para mim no passado.





Conheci há um ano o designer instrucional Matheus Brito. Sua formação inicial é em design gráfico, mas apaixonou-se pelo design instrucional e não hesitou em mudar de área. Um amigo que, no dia a dia, foi mostrando a importância da curiosidade e de um coração aberto para aprender no nosso aperfeiçoamento como educadores.


Um dia, no início de 2021, compartilhei com ele que estava escolhendo uma instituição boa onde eu pudesse fazer um curso de gestão de projetos. E qual não foi minha surpresa ao descobrir que ele já estava cursando um MBA de gestão de projetos? Ele me ajudou a escolher a instituição e passamos a compartilhar mais um assunto em comum.


Em uma de nossas conversas, começamos a pensar na importância da Metodologia Ágil para as equipes de EAD. Trabalhamos em uma equipe com uma organização que se aproxima a do Scrum e as entregas das disciplinas são feitas por ciclo de trabalho.


A metodologia ágil vem da tecnologia. Era o ano de 2001, e entre os dias 11 a 13 de fevereiro, um grupo de 17 desenvolvedores de software da comunidade eXtreme Programming (XP) se reuniu em Utah (EUA) para discutir diversos pontos que envolvem o processo de desenvolvimento e publicou o Manifesto Ágil.


O Manifesto Ágil é composto por 4 valores e 12 princípios ágeis. Lá se vão 20 anos desse manifesto que mudou a forma de pensar o desenvolvimento de software e, atualmente, também muda a forma de trabalho de outras áreas.


O esquema abaixo ilustra os quatro pilares do Manifesto Ágil:



Fonte: a autora – elaborado com Canva



De 1993 é o framework Scrum, idealizado por três dos desenvolvedores que participaram do Manifesto Ágil. Eles se inspiraram numa jogada do rugby, esporte popular nos EUA, para alcançar sucesso nos projetos: considerar as pessoas como fator preponderante nos projetos.


Reuniões curtas diárias permitiriam deixar a equipe a par do andamento do projeto, prever a necessidade de mudanças e realizar as mudanças nos momentos necessários. Em suma, era uma oportunidade de ter momentos de criatividade que favorecessem o andamento dos projetos.


No framework Scrum, Ricker (2017) destaca as seguintes características nas equipes: auto-organização das equipes, controle sutil da alta gerência e o aprendizado múltiplo.


A certa altura da nossa conversa, Matheus e eu ficamos pensando no papel do designer instrucional dentro do contexto do scrum. Fomos ler alguns artigos sobre os papéis no Método Scrum, e... bazinga! Encontramos relação da nossa atuação com a do product owner.


O PO tem a missão de definir estórias e priorizar o backlog de um produto ou projeto, mantendo a integridade dos conceitos iniciais. Ele também é o responsável pela qualidade final das entregas, sendo o único que deve ter poder de aceitar estórias como concluídas. Seu trabalho é fazer a mediação entre as partes envolvidas: desenvolvedores, stakeholders, clientes e equipe do projeto.


Comunicar é o principal verbo conjugado pelo PO, que precisa ter bom relacionamento com todos os envolvidos e precisa estar a par nas mudanças de clima da equipe, a fim de que a entrega final do projeto não seja afetada.


Mas, afinal, em que essa reflexão pode nos ajudar no dia a dia, afinal de contas somos DIs em uma instituição de ensino superior? A pesquisa por novos modos de trabalho fora dos nossos quadrados ampliam a visão sobre nossa própria atuação e nos permite dimensionar nosso papel em um projeto educacional. Outro fator importante é a valorização do conhecimento gerado, além da constante troca que as equipes multifuncionais podem ter ao longo da execução de em cada projeto.


E seguimos nossas reflexões, nossa pesquisa sobre gestão de projetos... e com nossos cafés quase filosóficos.



Referências:


DUARTE. Luiz. A evolução do scrum. In: Luiz Tools. Publicado em 18 de fevereiro de 2019. Disponível em: https://bit.ly/30FXA37. Acesso em 20/11/2021.


RICKER, Diogo. Scrum: Do Rugby Para o Mundo Ágil. In: Agile.pub. Publicado em 23 de janeiro de 2017. Disponível em: http://agile.pub/assuntos-diversos/scrum-do-rugby-para-o-mundo-agil/. Acesso em 20/11/2021.


TOLEDO, Isabela. Ensino ágil: usando metodologias ágeis para a educação. In: Tutor Mundi. Publicado em 8 de outubro de 2020. Disponível em: https://tutormundi.com/blog/ensino-agil/. Acesso em 20/11/2021.


VIEIRA, Rafael. O que é um Product Owner? In: Medium. Publicado em 27 de janeiro de 2017. Disponível em: https://medium.com/produto-di%C3%A1rio/o-que-%C3%A9-um-product-owner-c44bb29a9f66. Acesso em 20/11/2021.





Educadora desde 2003, desde 2016 trabalha como designer instrucional. Atualmente, faz parte da equipe de Desenho Pedagógico da UNISA, em São Paulo. Tem graduação e licenciatura em Letras – Português – Espanhol pela FFLCH – USP, especialização em Design Instrucional pelo SENAC – SP e, atualmente, é aluna do MBA de Gestão de Projetos na FGV. É DI Kamikaze desde outubro de 2020.





Posts recentes

Ver tudo
bottom of page