Como pensar a gamificação no EAD?

January 21, 2019

A gamificação está por aí, você já deve ter ouvido falar. É uma abordagem que começou com força há 5 ou 6 anos no Brasil, mas o termo já existe desde 2003 lá fora. Foi criado por Nick Pelling quando montou uma consultoria especializada em adaptar interfaces duras e sem graça para se parecerem mais com as dos video games.

De lá pra cá o conceito foi sendo testado e aprimorado e hoje, em sua essência, a gamificação se trata muito mais de pessoas e motivação do que propriamente de games. É uma abordagem estratégica para motivar mudanças de comportamento, estimular a inovação e, o que nos interessa aqui, desenvolver habilidades.

 

Gamificação no aprendizado

As pessoas tem seus objetivos pessoais para aprenderem algo novo, às vezes completamente diferente entre si para uma mesma habilidade. Programação por exemplo, alguns querem desenvolver sistemas e outros querem produzir jogos.

O importante é entender qual é este objetivo do aluno para saber como direcionar sua jornada de aprendizado.

Precisamos envolver emocionalmente o aluno, buscando uma motivação interna pessoal para realizar o curso. E existem dois conceitos muito importantes para se ter em mente pra isso: teoria do flow e o tripé da motivação intrínseca.

 

Teoria do flow

Mihaly Csikszentmihalyi, é um psicólogo húngaro que estuda durante décadas sobre os mecanismos que fazem com que a gente se desligue de tudo quando nos concentramos em algo por muito tempo, lendo ou conversando com os amigos por exemplo. Ele chamou este estado de Flow.

Entrar neste estado depende de um equilíbrio entre o desafio que nos é proposto e o nosso nível de habilidade. Se o desafio é muito grande, entramos em um estado de ansiedade e surge a necessidade de aumentarmos a nossa habilidade. No sentido inverso, quando a habilidade é muito maior que o desafio, acabamos nos acomodando e tendemos ao tédio.

 

Perceber o estado emocional do aluno é fundamental na estratégia de gamificação. Um exemplo prático é o clássico Super Mario. Você inicia o jogo sem saber o que fazer até que você cai no buraco e aprende a pular. Depois vem uma tartaruga e você aprende que precisa pular em cima dela para derrotá-la. O próprio game se encarrega de ir aumentando a sua habilidade propondo desafios maiores, um pouco por vez.

 

Tripé da motivação intrínseca

Daniel Pink tem introduziu este conceito simples e poderoso em seu livro Motivação 3.0. A base da motivação intrínseca está apoiada em três pilares essenciais. A autonomia, que é o desejo de querer fazer algo, a excelência, que se traduz no desejo de melhorar cada vez mais e, por fim, o propósito, que é o desejo de fazer parte de algo maior que nós mesmos.

 

Ter estas três palavrinhas na cabeça enquanto bolamos uma estratégia de gamificação para o curso vai aumentar bastante as chances dela dar certo!

 

Na prática

Pensando no desenvolvimento de habilidades, dá pra dizer que a gamificação na prática vai seguir uma sequência bem simples: entender os objetivos dos alunos, envolvê-los emocionalmente no curso e cuidar para que os desafios estejam equilibrados com as habilidades em desenvolvimento.

 

A dica é quebrar o grande objetivo do curso em vários menores e mais curtos. Assim o aluno vai perceber o próprio progresso bem mais rapidamente e isto acaba motivando ainda mais a realizar outros desafios e aprender outras habilidades.

 

 

 

 

 

 

Marcel Leal

Gamification, Design and Marketing to engage people

https://www.linkedin.com/in/marcelleal/

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