BNCC e Cultura digital - Desafios para sala de aula.

October 28, 2019

Há quem queira queimar na fogueira como se fosse livro de bruxaria e há quem
queira indicar para o Prêmio Nobel de Literatura. Independente de qual seja a sua
vontade, o certo é que este documento foi homologado e tem o prazo máximo do
início do ano letivo de 2020 para que seja implementado em todas as escolas do
país.


Mas afinal, o que é a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)?

Como indicado no próprio site do MEC, é um documento de caráter normativo que
define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os
alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação
Básica.

 

Indicado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº
9396/1996) para escolas públicas e privadas, ela define as aprendizagens
essenciais da Educação Básica, a fim de promover a equidade no ensino ao
determinar tudo que, no mínimo, o aluno tem direito a aprender.

 

A BNCC é a referência obrigatória para a construção curricular, sendo a escola e
seu corpo docente os responsáveis pela definição das metodologias e abordagens
para a construção do conhecimento e da competência a ser desenvolvida, a partir
da realidade em que está inserida e do público que atende.

 

Por competência, a própria Base a define como sendo a “mobilização de
conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e
socioemo­cionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida
cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”.

 

A Base tem como eixo estruturante 10 competências gerais, das quais vamos nos
ater em uma delas, a “Cultura digital”, que visa “compreender, utilizar e criar
tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa,
reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se
comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver
problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva”.

 

A tecnologia invadiu a escola sem pedir licença e trouxe grandes desafios aos
profissionais da educação no uso dentro e fora de sala de aula, na canalização e
filtragem das informações que bombardeiam o ser humano 24 horas por dia e na
postura ativa e protagonista que ela oferta ao seu usuário.

 

Sobretudo, entendemos que o “x” da questão não seja resolvido simplesmente com
uma aula no laboratório de informática uma vez na semana, mas (re)pensar como a

tecnologia modificou nosso modo de vida, nossa rotina diária e, consequentemente,
também o ser e fazer educação.

 

Assim, queremos elencar três dos grandes desafios que a competência Cultura
Digital tráz para além da nossa sala de aula:

 

 


1) Mudança de cultura


Como o próprio nome diz, é uma cultura, uma nova cultura, um novo modo de
compreender as práticas educativas e também o mundo a partir das tecnologias
digitais. 

 

Dessa forma, entendemos que a cultura digital é também uma cultura de integração,
de conectividade e de colaboração.

 

É a incorporação de novas linguagens e mídias, multimeios como ferramentas de
intermediação de aprendizagem, multiletramentos, onde as tecnologias são
incorporadas em novas práticas educacionais, mais abrangentes, mais relevantes,
onde o aluno é protagonista, do seu aprendizado e da sua história.

 

 

 

2) Aluno protagonista


As metodologias ativas atuam a partir da realidade do aluno, dos problemas aos
quais são expostos diariamente, num processo de ensino-aprendizagem que
compreende o aluno como protagonista de sua história e, consequentemente,
responsável pela resolução dos mesmos.

 

Cabe à escola adaptar seu currículo e propor novas construções pedagógicas e
metodológicas que oportunizem situações de integração entre os conteúdos
historicamente sistematizados e a vida real.

 

Ao professor, cabe a tarefa de instrumentalizar o aluno com os saberes necessários
para intervir em sua realidade, a fim de que ele tenha um posicionamento crítico e
efetivo diante da realidade em que está inserido.

 

É nesse viés que o mundo digital abre portas infinitas, conectando informações,
pessoas, ferramentas, espaços e tempos, numa atitude de colaboração mútua.

 

 

 

3) Atitude colaborativa
 

Se a competência é uma ação específica diante de uma situação, você precisa
mobilizar algumas habilidades (conhecimentos, atitudes e valores) para realizá-la.

 

Nesse sentido, a Cultura Digital enquanto competência mobiliza habilidades
específicas, e o movimento colaborativo de todos os envolvidos no contexto
educacional, entre professores e alunos especificamente na sala de aula, é uma
delas.

 

As metodologias ativas trazem da Cultura Digital para a sala de aula a realidade
interdisciplinar da vida fora dela:

 

● Aluno ativo e comprometido com o seu processo de construção de
conhecimento;
● Alunos engajados e comprometidos com o próximo, com o outro, conscientes
de que vivem em sociedade e que o bem comum é papel de todos e de cada
um;
● Professor criativo e que utiliza metodologias ativas em suas aulas, que
viabiliza, oportuniza e guia seus alunos em seu processo de emancipação
humana por meio da educação;
● Professores pesquisadores, digitais, atualizados e conectados, com o mundo,
com seus alunos e com seus pares, capazes de personalizar seu projeto
político pedagógico e, consequentemente, seu currículo, à luz da realidade
do mundo, da escola e dos alunos que estão sob sua tutela.

 

Os desafios estão postos e os limites e possibilidades dessa nova cultura digital
precisam ser refletidas, discutidas e encaradas como oportunidades de melhoria dos
nossos currículos e, mais do que em registros escritos, precisam resultar em
melhoria de nossa prática pedagógica dentro de sala de aula.

 

E aí, como a Cultura Digital pode ser desenvolvida para além de sua sala de aula
hoje?

 

 


 

 

Cristiane Silveira Cesar de Oliveira

Especialista em Educação a Distância e Neuropsicopedagogia
Teóloga Designer Instrucional e conteudista EaD (Pedagogia e Tecnologias Educacionais) Coordenação Pedagógica e Gerenciamento de Projetos E-learning
Link CV:
http://lattes.cnpq.br/9927092818981221

 

 

 

 

 

 

MORÁN, José. Mudando a educação com metodologias ativas. Coleção Mídias Contemporâneas. Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens, v. II, p. 15-33, 2015. Disponível em: <http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2013/12/mudando_moran.pdf>. Acesso em: 23 set. 2019.


PARIS, Francisca (Org.) EDUCA BRASIL 2019: Mudanças e Continuidades à Luz da BNCC. Curso online. Disponível em: <https://www.educa-brasil.com/>. Acesso em: 23 set. 2019.

 

 

 

 

 

 

 

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