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Homeschooling no século 21


O que é o Homeschooling?

Homeschooling é a possibilidade dos pais ou tutores, educarem seus filhos em casa, ensinando as disciplinas da escola. Essa é uma prática em países da Europa e Estados Unidos. É o ensino fora do regime tradicional de educação que é a escola.

De acordo com Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), o número de famílias que optam por essa forma de educação chegou a 7,5 mil famílias em 2018 no Brasil.

O ensino em casa não é nenhum tipo de prática inovadora ou algo que se começou a pensar apenas nos últimos anos. É algo muito antigo, já existente há séculos, comum a diversas comunidades. Antes do conceito de escola e escolarização, o ensino já era praticado entre mentores e mentorados. Com o passar do tempo, tornou-se necessário institucionalizar um meio para garantir o acesso ao ensino.

Existem famílias adeptas por acreditar que os filhos teriam uma educação mais qualificada fora da escola e tem quem defenda os problemas relacionados aos princípios de fé. Outras adotaram tal prática por prevenção aos perigos da escola como os casos de bullying, fora as questões de insegurança tão comuns em espaços públicos. Há quem diga que seria uma superproteção nociva à criança, pois estariam seguras em seu ambiente escolar. Por outro lado, psicólogos e educadores defendem que a criança deve ser inserida no ambiente escolar por conta da importância da socialização na infância, algo que poderia comprometer questões sociais futuramente.

Quem contesta essa afirmação diz que o dia a dia é vivenciado muito além das paredes e muros de uma residência e com muito mais intensidade do que a experimentada por alunos escolarizados. Pode-se garantir a convivência das crianças em ambientes como condomínios, festas, atividades esportivas e etc.

Com que se refere à fé, cada qual poderia abordar e aprofundar os assuntos que julgar importante conforme as suas crenças.

Para uma família decidir iniciar os estudos domiciliares de seus filhos, é importante que compreendam as consequências implícitas nessa decisão. Uma delas é: pela não matrícula ou rematrícula dos filhos, a escola pode (e deve) sinalizar tal conduta ao conselho tutelar que tem como obrigação acionar a família e, quando for o caso, entrar com medida protetiva.

Em todo caso, segue alguns tópicos sobre essa decisão que valem ser analisados. São os prós e os contras dessa prática:

  • Seria um ensino mais personalizado?

Esse é um dos objetivos das escolas do século 21: a garantia na personalização do ensino. O professor ter o olhar e a escuta atenta para perceber o que cada aluno precisa. Trabalhar em cima de suas particularidades. No homeschooling isso seria possível. O planejamento seria baseado nas necessidades do seu aluno e nos interesses pessoais/familiares.

  • E a troca de experiências entre os alunos?

Algo tão importante na escola. Essas trocas são valiosas e acontecem em rodas de conversa. Cada qual expõe sua opinião, expressa seus sentimentos, suas ideias a respeito do assunto tratado e trabalha-se também a empatia além de outras competências socioemocionais. Esse fator seria menos abordado no ambiente domiciliar.

  • E como seria o aprendizado através das vivências?

Chamado de metodologias ativas de ensino, a prática é outro fator fundamental no processo de construção das aprendizagens. A educação domiciliar garantiria momentos de experiências frequentes, pois os familiares/tutores poderiam usar diferentes espaços como local de aprendizado: parques, clubes, praia, museus, etc. Já na escola, essas saídas não são possíveis com frequência.

  • Como avaliar o aluno?

As instituições têm o compromisso de acompanhar o desenvolvimento dos alunos e avaliar constantemente seu desempenho. Dessa forma, detectam os déficits de aprendizado, as possíveis causas e traçam as ações necessárias para sanar tais questões. Isso requer uma organização com o corpo docente qualificado, reuniões pedagógicas e análises de estudos. No ambiente domiciliar, não há nenhum tipo de regulamentação ou supervisão.

  • Liberdade

Livre das obrigatoriedades e burocracias da escola. Livre para explorar outras formas de ensinar e aprender de variadas maneiras, desde que o tutor saiba conduzir sem perder o foco central no aluno que necessita se desenvolver no âmbito acadêmico e lembrar que onde quer que esteja, o aprendizado continua.

  • Certificação

Em função do homeschooling não ser regulamentado no Brasil, não há forma de emissão de certificado que ateste a conclusão do ensino. Atualmente, a única opção é a realização da prova do ENCCEJA (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos) que só pode ser realizada após completados 18 anos de idade. Esta prova é gratuita e pode ser feita tanto para certificar a conclusão do ensino fundamental quanto do médio.

Segundo Rodrigo Constantino, “a família precisa alterar seu estilo de vida, manter, acima de tudo, disciplina, para as crianças não dispersarem a atenção já que o local de estudo é também sua casa, e saber cobrar delas responsabilidade. Mas os resultados não são desanimadores até aqui. As notas em exames nacionais de quem fez homeschooling são parecidas com a média, em alguns casos até maiores. Uma coisa parece inegável: se cada vez mais gente tem feito essa escolha, então é porque as escolas estão mesmo em uma crise profunda, deixando de atender às suas funções básicas."

Em contra partida, é na escola que o estudante vai encontrar uma equipe estruturada e formada por profissionais da área que juntos organizaram um planejamento que garante os conteúdos essenciais para cada ciclo. Negar a importância desses profissionais é considerar que qualquer pessoa pode assumir o papel de educador.

No Brasil, a regularização deste tipo de ensino está em processo pelo STF para discussão sobre a constitucionalidade, o reconhecimento de diplomas, da fiscalização do rendimento e controle da frequência. Algo ainda não definido.

Anelize Albuquerque

https://www.linkedin.com/in/anelize-albuquerque-324833176

Pedagoga, pós graduada em Psicopedagogia.

Especialização em Educação Infantil e Alfabetização.

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