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O eLiceu, a escola virtual de Aristóteles.


Há pouco li um artigo na revista Exame que falava da descoberta do parque arqueológico do Colégio Liceu de Aristóteles, na Grécia antiga.

O famoso colégio filosófico do pupilo de Platão, há séculos procurado por arqueólogos de todo o mundo, é datado de 384 a 322 a. C, possuía cerca de um hectare e estava localizado a algumas centenas de metros do Parlamento Grego, em pleno centro de Atenas.

Admito que sempre que escuto algo sobre o colégio Liceu de Aristóteles, sinto certa inquietação, e não resisto em querer saber mais sobre os primórdios da educação, que desde 300 a.C. já promovia o ensino e a aprendizagem, talvez através de métodos tradicionalistas e hierárquicos, mas com certeza pioneiros.

Aristóteles em seu Liceu, costumava desenvolver suas aulas caminhando com os alunos por uma alameda próxima ao consagrado bosque de Apolo Lykeios (Daí origem do nome Liceu). Sua metodologia educacional era puramente oral e defendia que a função principal da educação era conduzir o homem à felicidade. Apesar de pouco politizada, a educação de Aristóteles se apoiava estritamente nas regulamentações do estado, era de visão lógica, e utilizava ferramentas do raciocínio para alcançar as realidades científicas e filosóficas da época.

Quando penso que as ferramentas de aprendizagem na época do Liceu eram exclusivamente humanas, me pego indagando como seria a escola de Aristóteles nos dias de hoje, na era virtual, permeada por recursos tecnológicos?

Imagino que suas teorias filosóficas seriam mediadas através de fóruns de discussão e grupos de debate virtuais, os recursos lógicos em busca da ciência, seriam programações de realidade virtual que ao máximo aproximariam alunos dos aspectos científicos, a metodologia da oralidade seria convertida em vídeo aulas, webinars e podcasts. Até mesmo os métodos de ensino tradicionalistas e hierárquicos, aos poucos, dariam espaço para a troca de conhecimentos e saberes, a aprendizagem seria interacionista. Pupilo e mestre construiriam o saber em conjunto, onde aluno seria ser autônomo e mestre professor mediador.

O “eLiceu” o colégio virtual de Aristóteles teria abrangência, alcançaria alunos ao redor do mundo de forma rápida, há um clique de distância. Suas metodologias seriam adaptadas às novas realidades de construção do conhecimento, e uma infinita quantidade de recursos e ferramentas estariam à disposição do ensino-aprendizagem.

Mas talvez, mesmo com tantos recursos, a tecnologia atual ainda não consiga ser capaz de substituir ou se adaptar à todas as metodologias de Aristóteles em seu brilhante Colégio Liceu. Uma coisa seria de impossível adaptação à virtualidade: a emoção de caminhar ao lado de Aristóteles pelas alamedas próximas ao bosque Lykeios e o romance no ato de filosofar.

Por fim, apesar da minha inquietação quanto ao Colégio Liceu, salvo todas as atuais tecnologias educacionais, concluo que estava certa a afirmação que por anos ouvi do saudoso professor de Ciências Sociais Paulo Martins, meu pai: “No Liceu, ensinava-se embaixo de árvores”... era sua forma de afirmar e reafirmar a educação livre, que mesmo sem recursos, quando há ideais, não importa como, nem onde, o ensino e a aprendizagem acontecerão, pois são atemporais e universais.

#Filosofia #Maiscurtidos

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