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Afinal, a Filosofia acaba? Um relato da sala de aula.


Era uma aula sobre Positivismo e pra facilitar o entendimento dos alunos fiz uma linha do tempo que ía do século VIII a.C. ao século XIX. Nela, fui destacando nossa relação com o conhecimento — saindo da mitologia grega, indo a Revolução Industrial e seus efeitos sociais através da valorização da técnica e do cientificismo nascente.

A ideia era, ao apresentar os três estados do pensamento construídos por Comte, demonstrá-los dentro da linha do tempo. Mas antes disso, mostrei a eles uma reportagem da Folha de São Paulo (do dia 02 /06/18) que trazia uma visão bastante positivista das coisas. Tinha ela como título: “Filosofia não é ciência e está fadada a desaparecer, afirma pesquisado.”

Quem é a Professora Roberta Melo?

Imagem Freepik

Li com eles o material que trazia como primeira pergunta feita ao Médico António Coutinho, qual seria a singularidade das ciências naturais em relação as outras formas de ser e de estar no mundo. Em sua resposta afirmou que a singularidade estava em descobrir as leis fundamentais do mundo e dos seres humanos. Seguiu dizendo que ela vai excluindo hipóteses, é sempre aberta ao diálogo e por isso sempre avança e progride. Terminou a resposta dizendo que a Filosofia não é ciência, porque ela não progride; que a ciência tem um bom processo e a Filosofia não, e é exatamente por isso que ela está fadada a desaparecer. Por fim, disse que o objetivo da Filosofia vai ser resolvido pelas ciências passando ela (a Filosofia) à História.

Nesse momento da aula vários braços se levantaram e eu realmente gostaria de lembrar de todas as falas, mas me recordo que Victor disse: — Professora, se a Filosofia sempre estudo novos problemas que surgem na sua própria época sempre existirão problemas filosóficos que surgirão em outros tempos.

Heloisa, lá no fundo, falou: — Roberta, eu tenho um amigo estudante de física e quando ele estuda a História da Física, estuda Filosofia. É importante olhar pros questionamentos que os filósofos já fizeram pra gente perceber que dá pra sair do que é normal. Pedro, pelo meio da sala, considerou: — Se a ciência vai resolver todos os nossos problemas, então ela é finita, mas a Filosofia não, ela é ilimitada, sempre haverá outros dúvidas. Por fim, escuto do Matheus o argumento dado pelo próprio entrevistador em sua fala: — O cientista quando faz as suas pesquisas ele não tem dúvidas? Ele então pensa como filósofo. Queria lembrar de todas as colocações incríveis pra mostrar que a molecada se incomoda sim! Que eles refletem e vão longe sim! Que eu tenho orgulho deles sim!

#Filosofia #Escola

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