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Como elaborar uma atividade sobre resolução de problemas?


A resolução de problemas tem sido muito mencionada como estratégia que permite o protagonismo do aluno e, no cenário de Educação Remota, tornou-se ponto imperativo para participação ativa, envolvimento em pesquisas, posicionamentos e exercício de colaboração e autonomia. Afinal, resolver problemas é parte do cotidiano de todos nós. Mas, se o livro didático, apostila ou qualquer outro material que você segue não trabalha a resolução de problemas, como fazê-la?





1. O problema


A primeira questão é partir do que pode ser considerado um problema e como construí-lo.

Um problema é uma dada situação que, quando o aluno procura resolvê-la, não encontra solução imediata ou consiga resolvê-la por meio de procedimentos automáticos. Portanto, ele se envolve em um processo reflexivo que precisa de uma tomada de decisões sobre a sequência de passos ou etapas a serem seguidos. Ou seja, é diferente de uma pergunta conceitual que, caso o aluno tenha memorizado um conteúdo ou conceito, não precisará de muito tempo ou de uma estratégia cognitiva muito complexa para respondê-la.


Além disso, a solução de um problema pode ter resposta aberta ou fechada e isso está relacionado às possibilidades de soluções e, portanto, ao percurso que o aluno seguirá para resolvê-lo. Os problemas fechados tratam daqueles que possuem solução única; já os problemas abertos podem ter várias soluções plausíveis e não se ajustam a um padrão determinado/único. São problemas que envolvem pesquisas, definição de posicionamentos, criação de produtos ou soluções inéditas para algo, por exemplo. Nesse tipo de problema, os alunos precisarão fazer escolhas; aprofundar-se em alguns conteúdos e pesquisas.


A criação do problema poderá envolver uma história que coloca os alunos na posição de um profissional ou de alguém que precisa resolver determinado problema em um “cenário” real, imersivo. Usar a história para envolvê-los na situação é uma ideia muito envolvente e, ao mesmo tempo, é preciso tomar cuidado para que não haja excesso de informação ou “penduricalhos” que tornem essa história cansativa, que dificultem a identificação do problema e dos conceitos chaves que o circunscrevem.


Um outro ponto importante é que muitas atividades ou exercícios podem ser tratados como problemas quando não são. É muito comum isso ocorrer quando essas atividades estão contextualizadas ou começam com uma situação estímulo (gráficos, figuras, notícias, vídeos). Esses elementos são importantes na estrutura do exercício e facilitam a interpretação e envolvimento dos alunos. No entanto, não fazem da situação, necessariamente, um problema.


Assim, ao construir o problema você deverá considerar alguns pontos fundamentais:

a) O problema poderá partir de pequenos vídeos, diálogos criados por personagens, reportagens jornalísticas, figuras, charges, trechos de músicas ou filmes, vídeos comerciais, de um episódio de uma série, de um artigo de divulgação científica, de uma notícia publicada em um jornal, de um artigo científico ou de um texto criado pelo professor.

b) Deve ter relação com o que o aluno está aprendendo ou já aprendeu. Se o tema do problema for totalmente novo para os alunos, isso dificulta a resolução.

c) O problema deverá proporcionar a ligação do conteúdo específico da disciplina ou disciplinas com situações do cotidiano dos alunos. O uso da contação de história (ou storytteling) poderá ajudar nisso.


d) Possuir funcionalidade: o cenário é funcional quando pode ser facilmente apreendido por meio de leitura escrita (com um vocabulário acessível e bem construído) e visual (com imagens de boa qualidade e tamanho). Além disso, deve conter as informações necessárias e relevantes para despertar a curiosidade do aluno e ativar seu conhecimento prévio; não deve conter elementos que distraiam a atenção do tema principal da investigação.


e) Ter o tamanho ideal: O cenário não deve ser nem muito extenso ou curto demais. Não pode ser complexo demais de modo a impedir a compreensão dos conceitos, ou simples demais que impossibilite a reflexão e a discussão acerca do que deve ser aprendido. Assim, o cenário deve ter o tamanho e a clareza necessários para apresentar a ideia e estimular a criação de um percurso para resolução.


f) Você pode construir o problema junto com professores de outras disciplinas para discutir temáticas que são transversais: Sustentabilidade e meio ambiente, cultura, diversidade, ética – ética no ambiente digital, situação de cyberbullying - tecnologia digital etc.



2. O caminho metodológico do aluno


A ideia é que a resolução de problemas passe por algumas etapas. É importante você conhecê-las para saber como conduzir os alunos por esse caminho metodológico. Claro que você poderá fazer adaptações, pensar em algumas fases diferentes que “combinem” mais com o seu objetivo e com a sua turma.


a) Leitura e Reconhecimento do Problema.

b) Identificação e Anotação dos pontos chaves: o que faz parte da resolução do problema? O que eu preciso para resolvê-lo?

c) É possível resolver apenas com o que já sabemos? Identificar “lacunas” conceituais. O que precisa ser “buscado?”.

d) Planejamento do trabalho em grupo: O que cada um ficará responsável por buscar?

e) Estudo individual de acordo com o planejamento. Cada integrante do grupo ficará responsável por uma pesquisa.

f) Partilha com o grupo do que cada um procurou (estudo em grupo).

g) Discussão/entendimento sobre os dados e conceitos compartilhados.

h) Aplicação dos conhecimentos buscados para resolução do problema e elaboração da resposta.

i) Apresentação da resposta.

j) Troca de ideias/feedbacks sobre a experiência com os diferentes grupos e mediação do professor.


3. A avaliação


É importante que você crie formas de avaliar o processo da resolução de problemas. Olhando para os itens anteriores, você poderá perceber que há diversas possibilidades para avaliar os alunos antes da apresentação da resposta final. Por exemplo, você pode pedir para que eles entreguem quais são os gaps conceituais identificados ou o resultado da pesquisa feita para que o problema seja resolvido. Pode pedir, também, um documento ou relatório sobre o estudo individual de cada um do grupo, pode construir uma rubrica sobre a participação/colaboração de cada um para que seja preenchida pelos colegas e, claro, avaliar a resposta ou apresentação da solução do problema.


O importante é identificar formas de avaliar o processo e acordar isso com os alunos antes de dar início à resolução dos problemas. Essas avaliações do processo permitirão que o grupo seja orientado e redirecionado, quando necessário, para resolver o problema e o professor poderá ir mediando o processo de construção da solução.


Itens como criatividade e aprofundamento, por exemplo, poderão ser avaliados desde que você construa uma rubrica e critérios objetivos de como avaliar cada um desses critérios.



4. Resolução de problema e a educação remota


Durante esse período de Educação Remota, a resolução de problemas pode ser uma metodologia que ajudará a motivar os alunos. Elabore o problema e disponibilize-o por e-mail, grupo de whatsapp ou por uma plataforma de aprendizagem (dependendo dos recursos que você e/ou sua escola possuem).


Procure especificar claramente às orientações aos alunos: desde a formação dos grupos até a explicação da metodologia e das formas de avaliação. Os alunos trabalharão em grupo, irão se envolver em um processo de busca/investigação, terão de avaliar quais conhecimentos são necessários buscar ou aprofundar, farão pesquisas e construirão uma “resposta final”.


Nesse contexto, os problemas abertos, com soluções flexíveis funcionam melhor já que trabalham a criatividade e a construção de uma solução a partir de pesquisas, de um trabalho coletivo. Se possível, aborde um tema atual, controvertido, que os alunos possam, ainda, exercitar o pensamento crítico, o posicionamento e a tomada de decisão.



Referências Bibliográficas


CONRADO, D. M.; NUNES-NETO, N. F.; EL-HANI, C. N. Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) na Educação Científica como Estratégia para Formação do Cidadão Socioambientalmente Responsável. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências. Vol. 14, no 2, 2014.


MUNHOZ, A. S. ABP: Aprendizagem Baseada em Problemas: Ferramenta de apoio ao docente no processo de ensino e aprendizagem. São Paulo: Cengage Learning, 2015.


SOARES DE ANDRADE, M. A.B. Possibilidades e limites da aprendizagem baseada em problemas no ensino médio. 181 f. Dissertação (Mestrado em Educação para Ciência) – Universidade Estadual Paulista, Bauru/São Paulo, 2007.


SOUZA, S. C.; DOURADO, L. Aprendizagem baseada em problemas (ABP): um método de aprendizagem inovador para o ensino educativo. Holos; ano 31, Vol. 5, mar./set. 2015.





Designer Educacional. Doutora em Educação para Ciência/UNESP.


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