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Designer Instrucional - Um potencial ainda adormecido


Quando falamos em sistemas de produção, a primeira coisa que vem em mente são os processos industriais das grandes empresas, que fabricam produtos ou bens de consumo em larga escala. E logo imaginamos aquele chão de fábrica gigantesco, com maquinários pesados e milhares de funcionários com capacetes e botas de proteção.

No entanto, após o surgimento da virtualidade e de novas tecnologias, os processos de fabricação e produção se estenderam a novas categorias, agora, uma das indústrias de maior crescimento no mundo é a indústria virtual, que recebe investimentos e amparos legais cada vez mais intensos, o que contribui com a expansão do setor. Quem leu o livro "A terceira Onda" de Alvin Toffler, escrito em 1980, com certeza ficou impressionado ao ver que o autor não errou quando disse que após a revolução industrial, passaríamos pela revolução da informação e das tecnologias, a chegada de uma nova era, a "Era da informação". E nesse novo tempo, informação, conhecimento e alta tecnologias tornaram-se capitais valiosos para o sucesso das corporações.

Além da infinita produção de gadgets, softwares, aplicativos, ebooks, produtos virtuais e mais uma coletânea imensa de artefatos digitais, criados e produzidos por empresas de tecnologia, as tão modernas startups, um nicho em específico, pegou fogo nessa nova era da informação. O que até então era tão polêmico e debatido nas rodas educacionais, o ensino a distância ganhou asas, e voa sem fim céu à dentro.

Quando as grandes empresas, perceberam que poderiam alcançar seus funcionários de forma virtualizada e levar a informação até eles, onde quer que estivessem, os investimentos para que essa possibilidade se tornasse possível e aplicável, não foram poucos. Os pioneiros núcleos de educação a distância das Instituições de Ensino Superior, ganharam novos formatos, sairam das escolas e foram parar nas agência de comunicação, treinamentos e recursos humanos. Uma infinidade de metodologias, tipos de aplicação e recursos virtuais foram e continuam sendo criados para atender as demandas desse setor corporativo.

E junto com a criação desses núcleos informacionais, surge a necessidade de agregar produção virtual à métodos de ensino e aprendizagem, o que exige do mercado a busca por profissionais que possam adequar a instrução ao formato virtualizado, criando através de conteúdos definidos, trilhas e contextos de ensino que atendam aos objetivos da formação. E é nesse momento que desperta um profissional surgido nas "trincheiras da 2ª guerra", quando o Governo Americano percebeu a necessidade de instruir seus soldados espalhados por diversos frontes de batalha, tarefa essa que ficou à cargo dos Designers Instrucionais de Guerra.

Como o próprio nome já diz, o Designer Instrucional, é responsável por definir o desenho da instrução. Tudo isso através de moldes e técnicas formuladas para o alcance, estímulo e formação. É o DI, que alia métodos e recursos de ensino virtual à técnicas e processos de produção. É ele que realiza a gestão do projeto de ensino, de forma a garantir que o público alvo da instrução, seja motivado a aceitar informações instrucionais por meio de recursos tecnológicos específicos.

No entanto, essa profissão ainda anda um tanto calada.

A quantidade de DIs juniores que trabalham no que carinhosamente chamamos de "bate tela", por conta da atividade continua em conferir de uma tela para outra, é imensa. São profissionais jovens, criativos, em sua maioria nativos digitais, que possuem forte conhecimento nas virtualidades, mas, no entanto, são imaturos profissionalmente, e acabam por não saber o potencial de sua profissão, que poderia levá-los à posições de gestão se estes apresentassem conhecimento em produção virtual, além da instrucional.

E aí que entram os DIs seniores, que já comeram uma fatia do bolo, ocupam cargos de gestão de produção devido principalmente ao conhecimento que possuem em todas as etapas da produção virtual, bem como na coordenação de equipes, criação de produtos e resolução de problemas. Geralmente são profissionais jovens, porém mais velhos, com maturidade profissional, com interesse nas áreas do design e comunicação, mas, não obstante, ligados à educação.

Por mais incrível que pareça, apesar de estarmos falando em instrução e treinamento, que são vertentes do mercado educacional, acredite, nem sempre o educador se faz presente nessas linhas de produção. E ao passo que o desenho instrucional se aproxima de outras ciências como a comunicação e a tecnologia da informação, mais técnica torna-se essa produção, o que acaba por descartar a necessidade de um profissional da educação. Embora, o educador, quando formado em designer instrucional, arrebente os "portões do céu", pois só ele vai saber aliar técnicas de instrução à teorias de ensino e aprendizagem, sejam andragógicas ou não.

Mas você deve estar se perguntando, porque o Designer Instrucional é uma potência adormecida como afirma o título desse artigo.

Imagine a quantidade de designer juniores, nativos digitais, que farão parte da próxima geração de profissionais dessa área. Absurdamente ligados às novas tecnologias, reis no domínio da obtenção da informação, multitask, com o raciocínio na velocidade do wifi, e, acima de tudo, eles já adquirem novas informações de uma forma em que as teorias de ensino e aprendizagem, ainda estão estudando metodologicamente. Ou seja, em breve, esses designers poderão colocar em prática desenhos de instrução muito mais atualizados à vivência do novo aluno, pois sabem de forma prática como se dá o processo de ensino e aprendizagem.

A nós, designers seniores, caberá aprender com as novas gerações, um potencial adormecido de jovens ainda imaturos profissionalmente, mas que com certeza, em alguns anos estarão dominando as linhas de produção virtual, principalmente se optarem por aprender técnicas de gestão de pessoas e produção digital. Então preparem-se os profissionais nativos digitais vão chegar com tudo, e vão revolucionar a forma de aplicar a educação aos moldes que ninguém mais além deles ja viveu, pois nasceram na nova era, a era da informação

#DesignInstrucional #EAD #TecnologiasEducacionais

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